Autor: José Maviael Monteiro
Editora: Ática
Série: Vagalume
Ano:
 1986

A editora Ática lançou, no início dos anos 70, o que seria um marco nas publicações de livros infanto-juvenis e que seriam lembrados até hoje! Estamos falando da série Vagalume. A série é mais conhecida pelas pessoas que tiveram sua infância nos anos 80 e 90. A série Vagalume pode ser o ponto de partida inicial para os pais que desejam embutir em seus filhos o hábito da leitura. Com fontes grandes e bastante imagens, a leitura se torna rápida e não se torna maçante para o público jovem.

Com um acervo enorme de livros a disposição da série Vagalume, nenhum deles me chamava tanto a atenção quanto O Outro lado da Ilha. Quando se é jovem e o hábito da leitura ainda se encontra no início (principalmente com o interesse do público jovem brasileiro voltado para grande parte dos quadrinhos ultra nacionalistas norte-americano), a capa fala muito, principalmente quando ela é assim:

Capa do livro O Outro Lado da Ilha
Era difícil não ficar impressionado com a capa e o título deste livro

A história narra uma aventura cheia de perigos em que uma família passa durante alguns dias em uma ilha isolada. Com o intuito de tirar férias em família, logo na primeira noite, na única cabana disponível na pequena ilha, situações estranhas começam a acontecer. O início do livro é um tanto afobado, já introduzindo nas primeiras páginas o nome dos personagens da família que protagonizará o conto, o que pode desnortear o leitor, principalmente os mais jovem, já que o livro não apresenta os personagens de forma gradativa. Porém, logo a história toma seu rumo.

O conto é tão bom e sua atmosfera é tão envolvente que recomendo este livro não somente aos adolescentes, mas também aos adultos. Apesar do texto parecer arcaico por vezes (o livro é de 1986), as palavras são de comum uso e fácil compreensão.

Ilha da Cacaia
O conto se passa na Ilha da Cacaia, um lugar pequeno e isolado, cheio de mistérios.

A história involve não somente suspense, mas também terror e muita aventura. Por vezes os personagens são obrigados a se separarem, acarretando em desencontros perigosos e incertos. Há partes que é impossível o leitor não ficar aflito. O que cerca a ilha e está matando os animais em sua volta? O que é a aparição de um homem desconhecido na ilha, por vezes vislumbrado no horizonte pelos personagens? Não entregaremos Spoilers aqui >.< !!!

O progresso da história é muito funcional. As dificuldades e terrores que a família passa vão crescendo gradativamente. Todas as noites, na casa de madeira, sob a luz de lampiões e sons de trovões e chuva batendo na janela, sempre ocorre situações de tirar o fôlego. Mesmo sendo um livro infanto-juvenil, O Outro Lado da Ilha consegue fazer mais do que alguns livros de mistério atuais voltado para o público adulto. Mesmo assim é uma história sem muita complexidade, já que foi segmentado para o público jovem.

Suspense de tirar o fôlego
Diversas situações inesperadas aguardam o leitor jovem em O Outro Lado da Ilha!

A história, no entanto, não possui nenhum tema pesado, sendo perfeitamente recomendado para o público infanto-juvenil, inclusive contendo um romance leve no meio. O livro agrega diversos valores fundamentais para o jovem, como exploração, curiosidade e coragem, mesmo quando os personagens mais novos devem pegar o controle da situação.

Meteram as mãos na areia da praia, buscaram os pequeninos crustáceos que vivem
enterrados. Não fizeram cosquinha. Não havia tatuís naquela praia. Mas a mão de Ivan, por baixo da areia, encontrou a de Lia. Fez cosquinha.” – O Outro Lado da Ilha, pág. 20

O Outro Lado da Ilha se resumi a poucas palavras: rápido, progressivo, intuitivo e com um suspense de tirar o fôlego. Todo o pacote em um curto livro voltado para o público juvenil e adolescente. Com frases criativas e situações bem diferentes, recomendo este livro não somente aos jovens quanto aos adultos também. O Outro Lado da Ilha não somente prova a criatividade e prazerosa leitura que a série Vagalume oferece, como também comprova que o livro vale muito mais que sua capa, mesmo quando a capa é incrível, como no caso deste livro!

Por

Escritor, crítico e redator aficionado por livros e jogos eletrônicos. Conhecido como Veritas Volpe no ambiente artístico e literário.

2 Comentários

Escreva um comentário